domingo, 7 de maio de 2017

História da Cultura pré-partilha. JC Anjos.


Rabiscos das Ilusões Perdidas.



Foram quase 15 anos de minha vida estando eu em um trabalho totalmente inútil que nada acrescentava àquilo que eu realmente queria fazer: Desenhar, compor, fazer qualquer coisa ligada à arte. Mas em um país em que, quem nasce na classe operária é tido por vagabundo por seus pares e é, até certo ponto, derrubado escada abaixo pelos que detém a comodidade econômica e cultural do topo de suas belíssimas torres de marfim (e porque não ouro?), até que eu consegui extrair algo de útil de minha vida inútil até aquele momento.
Eram também tempos em que eu andava desacreditado de minhas potencialidades pessoais e artísticas. Havia deixado de desenhar no fim da minha adolescência, fechei-me em auto preconceitos e fui minando minha paixão pela musica.
Décadas depois estou aqui apresentando estes trabalhos. Depois de infinitas reviravoltas em minha finita existência. Lembra-se do que disse acima: “até que eu consegui extrair algo de útil de minha vida inútil até aquele momento.”? O resultado são estes rabiscos da época em que eu trabalhava como Office boy/auxiliar jurídico de uma empresa de transportes coletivo que nem ouso dizer o nome aqui para não dar ibope.
Estes rabiscos, os que sobreviveram pelo menos (e por incrível que pareça, despareceram justamente as charges em que eu caricaturava alguns colegas de trabalhos por serem estes mesmos caricatos), são coisas que eu fazia na minha mesa durante uma pausa e outra. São sentimentos, pensamentos e promessas não cumpridas e ainda de quebra, um sarro com o pessoal.
A ultima frase deste caderno diz muito sobre mim hoje: não sobrou muita coisa daquele jovem que desenhava mais por necessidade do que qualquer outra coisa. Como Marques de Sade que teve de escrever na prisão com seu próprio sangue como tinta e as paredes como suporte para suas palavras. Um necessidade patológica.
O que sou hoje? Não sei bem e não saber é um alivio...
JC ANJOS,
Rio de Janeiro, 15 de abril de 2017.













segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Batman: A Piada Mortal


Como todos estão cansados de saber é uma edição que através dos anos tornou-se um dos maiores clássicos das histórias do Homem-Morcego.

Batman: The Kiling Joke tem roteiro do consagrado Alan Moore, arte do mestre Brian Bolland e cores de John Higgins.

Sendo uma daquelas raras e excelentes ocasiões em que arte, roteiro e cores se conectam trazendo um trabalho de qualidade ímpar.

Não dá pra fugir que a trama é marcada por causa do hediondo abuso sexual cometido contra Bárbara Gordon e infelizmente havia sido alvejada (fato que a deixou paraplégica).

Ao longo dos anos a personagem ficou marcada por causa deste tratamento violento ao excesso dado a ela. E vendo pelo ponto de vista atual é uma situação controversa pelo avanço do empoderamento feminino na sociedade mundial.

Transforma-la na Oráculo serviu como um pedido de desculpa por causa deste acontecimento que revoltou milhares de fãs dando relevância pra personagem junto a Bat-Família.

Voltando, além disso tudo A Piada Mortal é importante por mostrar uma possível origem do Coringa (aproveitada até no filme de Tim Burton).

De todos os inimigos da galeria do herói o Coringa é o mais emblemático deles. Seu passado mesmo sendo explicado ainda se torna inconsistente e enigmático. Pois o próprio nem acredita que sua vida possa ter sido assim.

Mais podemos ter certeza que o Coringa é um agente do caos que age apenas pra destruir vendo no Batman o seu nêmesis (e pode ter absoluta certeza de que haverá o momento no qual ambos irão se matar).

A Piada Mortal trouxe algo psicologicamente assustador, porque afinal de contas Batman e seu arqui-inimigo são na verdade as duas faces da mesma moeda
.
Sim queridos leitores lá no fundo o Morcegão e o Sr. C. são exatamente iguais.

De todos os inimigos da galeria do herói o Coringa é o mais emblemático deles. Seu passado mesmo sendo explicado ainda se torna inconsistente e enigmático. Pois o próprio nem acredita que sua vida possa ter sido assim.

Mais podemos ter certeza que o Coringa é um agente do caos que age apenas pra destruir vendo no Batman o seu nêmesis (e pode ter absoluta certeza de que haverá o momento no qual ambos irão se matar).

Dizem que até no final dessa edição fica subentendido que Batman matou o Coringa, mas pra mim isso não acontece. Batman finalmente cruzou aquela linha imaginária que achava torná-lo tão diferente do Coringa.

Bruce caiu no abismo e sua loucura extravasou, mas isso ninguém pode afirmar. A genialidade de Moore está aí, pois cada um acredita no final que quiser podemos ver tal afirmação através dos vários leitores que demonstram seu ponto de vista.

Bom, outro embate psicológico e importante entre eles pode ser visto no gibi Batman: Cacofonia.

Afinal de contas A Piada Mortal é completa, bem construída e fechada em sua conclusão. Então posso analisar que é sem necessidade alguma pra que haja algo a mais em sua história.

O dvd traz algo inusitado que não havia na HQ original. Seja pela presença de Francesco, um mafioso que demonstra ter uma paixão doentia pela heroína.

Ou ainda por Babs demonstra estar apaixonada pelo Morcegão. Temos até uma cena de sexo rolando no alto de um prédio. Sendo que lembrou demais aquela da Mulher-Gato que causou uma polêmica desgraçada há algum tempo atrás.

Ficamos quase meia hora de introdução pra sabermos como era a vida de Barbara Gordon e o suposto relacionamento dela com Bruce pra depois termos uma animação extremamente fiel ao gibi (com algumas mínimas alterações).

O então antigo histórico de rivalidade entre o Cruzado Embuçado e o vilão, unido ao término de uma relação conturbada e o crime brutal cometido contra Bárbara torna-se o estopim pro herói caçá-lo.

Só pra constar acrescento que a vida de Jim Gordon ainda precisa ser salva. É através do Comissárrio que o Coringa tenta provar que uma possível sucessão de acontecimentos ruins pode transformar um homem comum num maníaco psicopata.

Vemos novamente a origem do Coringa, mas há  um excesso de flashbacks que tornam a história confusa e muito chata.

A única coisa que achei interessante foi a versão do Batmóvel que parece muito com o automóvel mostrado na série animada dos anos 90.

Lembrando que há pouquíssimo tempo atrás fiz uma postagem somente do Batmóvel.

Continuando, a primeira coisa que não achei plausível foi esse relacionamento entre Babs e Bruce (ficou diluída num tipo água com açúcar).

Usada apenas como uma subtrama ou simples artifício e aditivo pra tudo que veio depois (isso pra mim ficou muito estranho).

Apesar da qualidade inegável desta animação houve uma imensa vontade de manter uma fidelidade a obra original e ainda termos algo inteiramente novo.

Como fã do gibi sou bastante chiita, pois as cores de John Higgins estão perfeitas ajudando-nos a viajar por cada momento da edição.

E justamente não vemos isso no DVD, pois a colorização cheia de luzes claras nos dá uma ambientação bem diferente. Não senti nenhum apelo emocional nas cenas mostradas e isso do meu ponto de vista foi horrível.

A Piada Mortal foi a pior animação da empresa de todas que já assisti. Creio que seja até pelo apelo carinho que tenho pela obra original que eu não consegui achar nada que prestasse nesta animação.

Talvez quem nunca tenha lido o gibi possa encontrar um bom divertimento mais disso eu tenho dúvidas. Se quiserem assistir é por sua conta e risco, mas depois não reclamem (já que eu avisei).

Espero que tenham gostado.


domingo, 15 de maio de 2016

JC Anjos encontra um dos pais do V de Vingança em fim de expediente de uma segunda-feira melancólica! (E porque a Palavra “Ilustrador” me incomoda tanto).


A postagem abaixo se refere a ultima palestra do “ilustrador”* David Lloyd da obra V de Vingança. Ocasionada no ultimo dia 9 de Maio em uma livraria em Botafogo. 

Aqui pretendo registrar minhas impressões e falar um pouco desse grande artista que contribuiu e muito para a nona arte não só pelo simples fato de ter chamado para o seu projeto (que na época era uma encomenda de uma editora independente antes de ir para a Vertigo Comics) nada mais nada menos que o aparente pirado Alan Moore, mas que também, seus traços e concepções, partindo de sua pena,  David, não somente criou o personagem Guy Fawkes (personagem caricaturado de em um vulto histórico), como gerou um poderoso ícone que inspirou protestos e insatisfações politicas nos últimos anos tomado de empréstimo. Acompanhe.


Encontrar um dos diversos pais de meus inúmeros deuses não acontece todo dia. E foi graças ao meu amigo Otto K., que me tirou da minha catalepsia social, que pude ter um fim de dia de uma segunda-feira melancólica em um memorável dia. 

Um desses pais na qual me refiro é David Lloyd, que, assim como Alan Moore, conceberam V de Vingança, cuja obra já rendeu um filme em 2005, estigmatizou uma das maiores facetas da nossa contemporaneidade: a máscara de Guy Fawkes cuja força iconográfica inspirou os últimos protestos em todo o Brasil inclusive no período da copa do mundo que foi sediada aqui. Em que a metáfora da revolução de um único rosto (e paradoxalmente sem ele) e televisionada nunca antes experimentada sensivelmente por diversos movimentos sociais e populares. A essência do livro gráfico tratarei aqui em outra postagem. 

Isto tudo até agora dito é só para aqueles leitores que até então não sabiam de onde vieram “àquelas” mascaras dos protestos. Ecce homo.

Mas antes de ser este poderoso ídolo que diante de mim exigia minha total atenção e devoção, David Lloyd é gente finíssima, atencioso e educadíssimo. Um gentleman. Talvez bem diferente da minha ideia de um Alan Moore soturno, megalômano e que jamais abandona a torre de marfim que é a sua britânica ilha para falar com nós, meros mortais. David é demasiado humano. É dado a falhar embora nossa devoção não nos permita perceber. Ele te olha nos olhos ao responder tua pergunta mesmo que
as perguntas precisem ser traduzidas. Transladas para seu idioma (com mediação de Carlos Patati, um dos roteiristas da clássica e extinta revista Spektro de 1979 e pesquisador de historia das histórias em quadrinhos). Lloyd tenta se aproximar ao máximo de nós. É um cara equilibrado, sóbrio em seus comentários e extremamente ético quando fala de seus colegas. Longe do pedantismo justificado de seus colegas britânicos que dominaram com maestria o mercado norte americano da nona arte e com toda a competência. Estar diante dele é, de alguma forma, estar diante de tantos outros como StanLee, Grant Morrison e o próprio Alan que cada um a sua maneira povoou nossos sonhos de uma vida toda com uma gama de mitos. Defende e divulga as webcomics ( Em especial seus novos projetos cujo site chama-se Aces Weely) como tendências inevitáveis que culminarão com o fim do impresso (salvando milhares de árvores) e o fim burocrático de editoras e distribuidoras do mundo físico.


Chegada a hora dos autógrafos, estávamos Otto e eu com um número recém-comprado na mesma loja onde estava ocorrendo à palestra. Uma longa fila cheia de gente que assim como eu passou a adolescência do final dos anos 1980 e inicio dos 1990 sendo ridicularizados por garotas que desprezavam caras que liam “gibis” e garotas que devem ter sofrido duras criticas pelos seus pais porque liam “estas coisas de meninos”. Havia uma cumplicidade silenciosa. Àqueles que não tinham companhias como meu mano Otto ao meu lado, era ajudado por pessoas como eu e tantas outras na hora de tirar foto com o ídolo. Não havia pedidos verbalizados. Os gestos solidários diziam tudo. 

É chegada, finalmente, a minha vez.



Chegada a hora de meu encontro com Lloyd à coisa não deixou de ser singular:
  David Lloyd: Angel, anh?!
JC Anjos: Yeah, man! Angel!!!!

Ele entendeu a mensagem:
David: Ok, Jôta-cí-Ãnjous!!!!

JC: Pictures?!
David: Sure!
E depois de uma ultima foto com meu ídolo, em seguida uma foto com meu amigo Otto, a noite chegou ao fim. Hora de retornar para nossas vidas e duras realidades.




*Antes de encerrar esta postagem eu gostaria de dizer que a razão de eu ter usado as aspas na palavra ilustrador é porque atualmente eu estou a repensar este termo aos artistas de histórias em quadrinhos, que mais do que nunca, precisam sair desse estigma de meros ilustradores. O ilustrador, a meu ver, completa a escrita. Claro que aqui há também um trabalho de criação. Mas acho que na linguagem das HQs esta concepção é mais ampla. Envolvem sequências e mais sequências, sonoridades, movimentos que não só complementam a escrita como as ultrapassam. Porque se pensarmos em um roteiro só de gestos, estes gestos só serão representados no campo imagético. O que escapa e muito do mero conceito de ilustrador. Precisamos refletir muito sobre isto.

  Agora sim posso pegar o ônibus de volta pra casa...

Fotos por Otto K.
Fontes para links: Wikipedia e Aces Weekly





JC Anjos & Otto K.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A Insólita Família Titã



É uma excelente HQ nacional escrita pelo roteirista Gian Danton com arte de Bené Nascimento (ou se preferirem Joe Bennett).

Joe Bennett é um desenhista brasileiro que fez uma carreira prolífica nos Estados Unidos, pois trabalhou pra maioria das editoras do Tio Sam.

Há uma introdução pra que saibamos do histórico dos artistas envolvidos neste gibi.

Confesso que a arte da capa nem se compara ao que vemos na história. Parece que foi feita no inicio de carreira de Nascimento mais a história é simplesmente fantástica.

Na trama havia três adolescentes pobres, Melissa, Paulo e o narrador que não encontrei o nome. Ele era deficiente, pois precisava de muletas pra andar. A união dos três era por causa de sua vida miserável, mas mantinham a esperança de dias melhores.

O rapaz curtia uma paixão platônica por Melissa, porém escondia seus sentimentos dela. E por isso mergulhava nos livros que encontrava jogados no lixo (isso deu a ele um certo tipo de conhecimento).
Melissa queria ser atriz e até foi num teste, mas o por causa de sua magreza não conseguiu.

Certo dia entretido com sua leitura encontrou um vulto na floresta e seguindo-o foi parar numa caverna na qual havia um alienígena. Esse alien lhe revelou que devido aos seus desejos poderia tocar num disco e pedir o que quisesse.

Só que ao pensar em seus amigos deflagou algo que nunca poderia imaginar. Sua maior decepção foi ver Paulo e Melissa transando e mesmo assim revelou pros amigos o que havia presenciado.

Como crianças, tocaram no disco e proferiram a palavra mágica: Katana! Seus corpos foram transformados em deuses. E ao voltarem pra caverna encontraram uniformes e o conhecimento dos codinomes: Vésper (Melissa), Centurião (Paulo) e Tribuno (o narrador).

Vieram os atos heroicos tipo salvar avião de cair, evitar um incêndio num prédio e a fama subiu-lhes a cabeça. Vésper saiu nua numa revista, Centurião comercializou action figures da equipe, porém Tribuno estava de fora.

Algo corroía a mente de Tribuno, no entanto ele não sabia o motivo de sua insatisfação. Até descobrir uma invasão alienígena e convocar seus amigos pra defender o nosso planeta. Ao batalha foi vencida e eufóricos depois de tanto beber ambos transaram com Vésper.

Ela ficou envergonhada e Tribuno foi expulso da equipe e visto como pária por toda população. Seu ódio cresceu imensamente até que Centurião e Vésper revelaram como ganharam seus poderes, porém ao encostar no disco disseram a palavra mágica e perderam seus dons (voltando a ter uma vida comum).

Então, Tribuno resolveu se vingar e a história fica cada vez mais inquietante.

Devo comentar que não gosto de histórias em preto e branco, pois tiram toda a graça que a trama poderia nos proporcionar, no entanto o roteiro de Gian Danton me deixou de queixo caído.

Quando somos crianças pensamos em ter superpoderes e fazer feitos incríveis mais o que vemos nesta história é pra deixar qualquer um pensativo.

Justamente sentimentos como ambição e egoísmo devastam qualquer um que não tiver caráter bem definido.

Aqui há uma homenagem ao artista C.C.Beck criador do CapitãoMarvel, pois seus personagens se assemelham também com a MaryMarvel e o Capitão Marvel Jr.

A Insólita Família Titã é uma história seca, cruel e muito envolvente demonstrando como as situações podem realmente mudar a vida de uma pessoa.




terça-feira, 5 de abril de 2016

Surfista Prateado – Parábola



Essa é uma aclamada e histórica Graphic Novel que reúne as lendas Stan Lee reconhecido co-criador do Universo Marvel que ficou com o roteiro e também o famoso Moebius foi quem fez a arte.

Mesmo esse gibi sendo muito elogiado durante todos esses anos. Algum tempo depois Moebius reclamou que teve que desenhar rápido pra concluir suas páginas.

O fato é que Jean Giraud não trabalhava com super-heróis, mas sua arte cultuadíssima fala por si só.

Lembro que Silver Surfer: Parable foi lançada originalmente em 1988. Pouquíssimo tempo depois quando eu ainda era um novato no mundo dos gibis havia lido a edição, no entanto não havia dado muita importância pra ela.

Agora devido há um pouco mais de experiência de vida compreendo que é uma aventura repleta de carga filosófica (como Lee gosta de escrever).

Na trama uma gigantesca nave alienígena está chegando na Terra e logo a notícia se espalha alastrando medo e terror entre as pessoas.

A cidade está destruída e a polícia alarmada sem saber como proceder. Quando a nave enorme pousa seu único tripulante se apresenta é Galactus, O Devorador de Mundos.

Sua voz soa imponente e poderosa prometendo uma nova era pra humanidade totalmente livre da miséria e também do crime.

Na televisão ficamos sabendo que o gigante passou a ser adorado como um deus.

Tal situação deixa o evangélico Colton Candell furioso e querendo se aproveitar dos acontecimentos pra chamar atenção pra si mesmo. Proclamando-se arauto de Galactus dizendo que suas orações foram ouvidas e atendidas pelo gigante.

A população fica confusa mais a situação piora a partir do momento em que Galactus afirma que a lei dos homens está banida, não há mais pecado e tudo é permitido.

Uma onda de histeria, violência e selvageria toma conta da população. E as autoridades são obrigadas a instituir uma lei marcial pra tentar organizar o pânico.

O Surfista Prateado estava vivendo na Terra como um excluído e solitário. Sua aparência era a de um simples mendigo, porém foi confrontar Colton.

Na verdade, Colton tinha apenas atitudes mesquinhas visando somente os benefícios que poderia lucrar estando ao lado de figura tão importante.

No entanto, Elyna Candell, sua irmã ainda mantinha um bom senso diante do absurdo que estava vendo. Ao conversar com ela, o Surfista decide mais uma vez proteger a humanidade mesmo que novamente ela não mereça.

Essa é uma atitude nobre dele que sinceramente eu admiro muito, mas nunca conseguirei entender.

A parte interessante foi notar que Elyna ao saber do nome do herói achou que se tratava de uma lenda urbana.  Não vemos qualquer outro super-herói se interpondo ao gigante (ou até sendo mencionado).

Esse é um fato que “talvez” nossa história aconteça num futuro distante aonde a humanidade tenha se esquecido da existência dos heróis (mais o que aconteceu com eles não é explicado).

Mesmo sabendo que não tem nenhuma chance contra Galactus, o Surfista tenta lutar primeiro lembrando-o de seu pacto de não destruir nosso planeta. E depois também convencê-lo que a humanidade merece uma chance de continuar vivendo.

É muito estranho notar que nós seres humanos temos a essencial necessidade de adorar e seguir mesmo que seja de uma maneira cega e fervora a um ser superior.

O momento ápice da aventura chega justamente pela coragem de Elyna e sua atitude  foi algo que nem tenho palavras pra descrever.

Afirmo que é confuso pensarmos em Galactus num nível igual ao nosso, pois sua existência está muito além da vaga compreensão humana.

Mais não há como ficar estupefato pelo altruísmo do Surfista em negar um mundo que iria segui-lo somente para voltar a solidão sempre presente em seu caminho.

Sem sombra de dúvidas o roteiro de Stan Lee serve realmente de alarde pra fé sem limites que colocamos na religião. E por um instante parei pra pensar em uma situação, porque eu nunca acreditei nesses evangélicos que prometem curas milagrosas pela televisão.

A arte estilosa de Moebius nos faz viajar pela história sempre mostrando ângulos inusitados. Dessa forma incrível parece que estamos ali presenciando os fatos da narrativa.

Surfista Prateado: Parábola é uma história antiga, mas com uma temática sombria que ainda está muito atual e longe de ter fim.

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segunda-feira, 7 de março de 2016

Estranhos no Paraíso



Foi lançada inicialmente numa minissérie em 3 edições pelo artista e também roteirista Terry Moore, em 1993.

Bom, tenha absoluta certeza que aqui você não irá encontrar nenhum herói com cueca por cima da calça usando capa esvoaçante. E também não verá nenhuma gata musculosa usando um uniforme minusculo com salto alto.

Fiz isso de propósito, pois pra quem ainda lembra os infames anos 90 as edições dos heróis eram recheadas de personagens clichês com aventuras fraquíssimas e sofríveis.

Dispensando essas considerações nesta história ficamos sabendo da vida das amigas Francine Peters e Katina Chuvanski que se conhecem desde o colegial e moram juntas.

Quero afirmar que o roteiro de Moore é bem conduzido e confesso que li as três edições numa tacada só, pois os personagens são divertidos e parecem reais.

Na verdade os dramas, neuras, inseguranças e problemas fazem Estranhos no Paraíso uma das melhores histórias já produzidas.

Sem sombra de dúvidas mereceu ter ganho o Eisner Award, um tipo de Oscar dos quadrinhos.
Francie é meio doidinha, mas bastante meiga e está ficando fora do peso. 

Mais em contraponto, Katchu é durona, mau humorada e bebe pra caramba. É uma pintora e poetisa que guarda suas criações pra si mesma.

Só pra constar os poemas escritos por Katchu são na verdade foram feitos pelo Terry Moore (eles são ótimos).

Voltando, pra completar o triângulo ainda temos David, um rapaz tranquilo e inteligente que gosta de Katchu, no entanto ela adora Francine é um amor muito complicado. Fato que me fez lembrar daquele filme “Três Formas de Amar”.

A trama inicia com Francine se apresentando numa peça do colégio e tendo problemas com sua roupa que caiu quando estava no palco (deixando-a nua na frente de todos na platéia).

O tempo passa e vemos ambas iniciando a fase da vida adulta. Francie tem um relacionamento conturbado com Freddie no qual não há sexo. Ela já havia sofrido bastante com outros relacionamentos antes.

Só que no dia de aniversário da relação, Francine estava disposta a se entregar. Chegou no trabalho dele pra fazer uma surpresa, mas encontra seu namorado se esfregando com outra.

Francie fica arrasada, porém mesmo assim ainda tentou reatar o relacionamento. Só que Freddie é um idiota e escroto que não vale nada terminando com ela.  Num ataque de fúria Francine tira sua roupa num parque e dirige pra casa sofrendo uma colisão que a deixa ferida.

Katchu fica sedenta de raiva ao persegui-lo e temos uma conclusão muito engraçada nesta parte.
Outro personagem intrigante é o David comento isso, porque Katchu esculacha o rapaz de diversas maneiras.

E por mais incrível que possa parecer ele está sempre do lado dela (é uma prova de amor inquestionável).

Obviamente destaco a arte de Terry Moore que de uma maneira bem simples consegue ressaltar as cenas numa ótima ambientação de cenários. E pra mim o mais importantes fica nas expressões faciais dos personagens condizentes com ação mostrada a cada momento.

Já comentei várias vezes que não sou fã de edições em preto e branco, pois retira muito do impacto que a história poderia nos dar. E isso foi a única coisa que realmente não gostei na história.

Porém o conteúdo adulto e abrangente mostrado por Moore é a melhor parte de toda narrativa. 

Confesso que virei fã de carteirinha assinada e recomendo pra qualquer leitor que queira sair da mesmice e do lugar comum que vemos nos gibis que abusam dos velhos clichês.

Só pra constar Strangers in Paradise chegou até a edição 90 lá nos Estados Unidos durando praticamente 14 anos, mas a forma como trata de um assunto que até hoje é complicado (homossexualismo). 

É imprescindível para que haja uma mudança na forma como as pessoas pensam e agem sobre isso.

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Injustiça: Deuses Entre Nós - vol. 2



Esta edição consegue ser mais complexa, sinistra e surpreendente do que a anterior.

A HQ tem vários momentos alucinantes que me fizeram ficar de queixo caído como: o todo poderoso Adão Negro sendo destituído de seus poderes, Billy Batson tendo uma conversa franca com o Capitão Marvel horrorizado quanto as atitudes violentas dos heróis da LJA.

O Flash tem outro momento memorável quando está jogando xadrez com Kal (é um diálogo simplesmente fantástico!).

O melhor momento de todos foi ver Kal arrasando com Kalibak e a cara de assustado dele ao notar a verdadeira mudança na forma do Azulão agir.

Confesso que fiquei estarrecido na primeira edição com o Super cheio de ódio retirando o coração do Coringa, mas tenho certeza absoluta que ele mereceu.

Na verdade havia aquele eterno jogo de gato e rato entre heróis e vilões. Eu notei que os vilões sempre aprontavam de tudo como: roubar, matar entre outras coisas enquanto o herói apenas o mandava pra cadeia (e daí começava tudo de novo).

Injustiça mudou radicalmente o status quo dessa balança e pra mim ficou ótimo demais.

Kal culpou Bruce por não ter antecipado os planos do Sr. C (e assim evitar a morte de Lois e do seu filho).

Mais agora a situação desce ladeira abaixo de uma maneira tão vertiginosa quanto envolvente. 

Superman deixou de ser aquele homem altruísta que servia de inspiração pra todos e tornou-se um déspota controlador impingindo e forçando ao mundo suas vontades.

Kal está fora de si, pois o luto e a dor da perda nublaram sua visão de tudo transformando-o num homem amargo, rancoroso e totalmente cruel.

A aventura é pesada tanto no aspecto visual quanto psicologicamente. Batman e seus aliados tentam evitar que Kal destrua o mundo, massa tarefa não é tão fácil assim.

Podemos notar também a morte violenta e sem sentido de alguns heróis do panteão DC e não vou comentar quem são (só pra não estragar a diversão e a emoção de quem quiser ler).

Outro aspecto importante desta história é concentrar-se no aspecto da família. Seja na perda do Superman, no tratamento de Oliver e Dinah, na forma como Alfred protege Bruce.

E até no relacionamento conturbado entre Damian e Bruce que foi algo muito inusitado pra mim.

Injustiça: Deuses Entre Nós vol. 2 é uma aventura que contém um nível altíssimo de adrenalina, drama e violência no roteiro de Tom Taylor.


Porém como na edição anterior repetiu o mesmo erro de colocar diversos artistas ilustrando-a. Somente esse erro foi o que infelizmente deixou a desejar, pois vale a pena passear por suas páginas.

sábado, 30 de janeiro de 2016

O Incrível Hulk vs Superman



Esta história dos heróis das editoras se enfrentarem num combate eu já havia visto no péssimo Marvel vs DC: O Conflito do Século.

Nesta história os heróis precisavam lutar entre si para salvar seus universos. Tiveram diversos embates e um deles era Superman vs Hulk no qual o Azulão venceu.

O Incrível Hulk vs Superman conta com a bela arte de Steve Rude, roteiro de Roger Stern e foi lançada, em 2000 (aqui no Brasil).

Bom, nesta HQ não há nenhuma explicação científica pra que ambos os heróis coexistirem no mesmo universo. É um crossover que leva para aqueles períodos clássicos dos personagens.

Enquanto o Superman é casado com Lois Lane e tem aquela feição com olhos semicerrados do desenho de Max Fleischer. Temos o Hulk original com cabeça achatada e muito irracional. Um fato interessante é que sua personalidade predominante sobre o Golias Esmeralda está cedendo, pois nesta época transformava-se apenas a noite. E agora quando passa por momentos de tensão perde o controle virando Grandão.

Vemos também Rick Jones agindo como seu parceiro-mirim tirando Bruce de diversas enrascadas.

Desta vez a aventura começa com Lois assistindo um noticiário na TV sobre o Hulk no “presente” e o Superman se lembrando do primeiro confronto entre ambos.

Quando Clark estava num laboratório entrevistando o cientista Doutor Carson sobre seu sismógrafo. A máquina encontra tremores vindos do Novo México e logo Superman entra em ação, mas quando chega no local encontra o Hulk atrapalhando um churrasco (comendo a comida do pessoal).

Então a briga começa com direito a diversos socos e até o Super sendo lançado no espaço, porém quando consegue voltar perde o rastro do Verdão.

Depois no Planeta Diário Clark pesquisa sobre  o Hulk na web e Lois fica xeretando pra tentar passar a perna nele. Ela ainda está com raiva por ter perdido a entrevista do século com o Superman pro caipira e decide sair na frente (pedindo ao Perry pra fazer uma notícia sobre o Hulk).

A aventura é bastante simples, pois fica sob aquela velha ótica de heróis que se unem pra combater um inimigo em comum.

No caso Lex Luthor que arranja uma forma de subjugar o Azulão e encontra no trabalho científico de Bruce Banner o canhão gama.

Lex passa uma lábia no General Ross e tenta dar uma de bom empreendedor pra Betty Ross, mas logo Lois conta pra moça quem é o verdadeiro Luthor. Nesse meio tempo Lex descobre que Bruce gosta de Betty Ross e sequestra a moça com um robô da LexCorp que se parece com o Hulk.

A culpa recai sobre o Grandão e tanto o General Ross quanto o Azulão estão na cola dele. Enquanto o verdadeiro Grandão destrói o robô e salva Betty vemos Superman chegando logo depois e reconhecendo o mal entendido.

Só que enquanto tenta explicar a situação o Hulk não quer saber de conversa desferindo socos poderosos. Somente quando Lex  aciona o canhão encima de ambos é que a ficha cai pro Gigante Esmeralda.

O Azulão arremessa o Hulk no Canhão Gama destruindo a arma e sumindo logo depois. Superman acusa Luthor  mais como sempre será difícil de provar alguma coisa diante de seus recursos.

A HQ termina aonde começou com Lois e o Super ainda assistindo o noticiário sobre o Hulk na TV e o próprio Banner enfrente a uma loja de eletrodomésticos chorando pela morte de Betty.

Na cena final Bruce caminha pela estrada com mochila nas costas igual ao seriado televisivo muito triste!

O Incrível Hulk vs Superman não é uma HQ espetacular, mas consegue entreter com as lutas dos heróis e demonstra de maneira emocionante a angústia de Banner ao ter que dividir sua existência com o monstruoso Hulk.


sábado, 23 de janeiro de 2016

A Cartola e as várias facetas de Luiz no mundo 3D

O modelo dessas fotos é meu grande amigo Alemão. A cartola que ele criou "me caiu bem."


De vez em quando, eu recorro ao mundo real para tomar alguma referencia para os meus quadrinhos. Não que isto venha a se tornar uma prioridade porque não vislumbro o mundo totalmente cine-fotográfico tal qual o percebemos. Mas existem situações em que expressões corporais e até cenários precisam se apoiar em algo "real" até mesmo para que o leitor perceba que tais situações podem habitar a verossimilhança. principalmente corpos dos personagens ali em questão.

Eu precisava de alguém que servisse de referencia para mim que usasse uma cartola na cabeça. o movimento era no momento em que Luiz Gama estivesse prestes à ir até a casa de correção no final do capítulo 1 (pag.7). Bem, eu teria problemas se antes eu não tivesse a sorte de ter aqui em casa guardado uma velha cartola de meu amigo Alemão. Por sorte dupla ele apareceu aqui em casa e eu sempre gostei de usá-lo como mode-lo para qualquer trabalho seja de vídeo, fotografia ou desenho. 

Não preciso dizer o quanto ficou maravilhoso conforme tomadas acima.







Esta cartola foi retirada de algum site para exercícios.

O Eterno retorno do bom filho ao lar. (ou como me meti de vez no mundo das HQ's)




Após longos anos (décadas) resolvi voltar para os quadrinhos tal qual Sidarta retorno de sua viagem pelo  mundo afim de encontrar-se consigo mesmo do mesmo ponto em que partiu.a bem da verdade sempre ouvi o chamado pelos meus amigos. De que eu iria desenvolver bem as minhas HQ's e que meus desenhos eram realmente bons. Mas não foi sempre assim. Eu nunca havia considerado que de fato era bom desenhista. Mas eram conceitos que hoje considero obsoletos (e porque não arcaicos?). Cresci ao redor de amigos que dividiam a mesma paixão pelos quadrinhos. Produzíamos aquilo isolados do resto do mundo sem sequer saber que existiam coisas como o Fanzine e demais produções independentes e underground. 


E havia gente realmente boa ali (no sentido realista do termo"). E eu pensava comigo: "Nossa, nuca chegarei aos pés desses caras!". Mas de qualquer forma, eu seguia em frente. apostando em meus roteiros (que mesmo inocentes para a época, eu ainda os achava empolgantes). Até meu saudoso irmão desenhava melhor do que eu, assim eu achava.

Com a chegada da adolescência e posterior vida adulta, assim como Grant Morrison, tive que partir para outras vivencias e deixar de lado o mundo dos quadrinhos. O rock and roll levara-me para a literatura. A literatura me impulsionou a voltar a estudar e isto, paralelamente a uma série de turbulências em vários outros setores de minha vida. Ser artista e suburbano é tão difícil quanto ter uma formação de nível superior sendo e vivendo no subúrbio.


E foi neste momento em que estas duas impossibilidades me fizeram, ainda  que tardiamente, me reencontrar com o maravilho mundo dos quadrinhos após inúmeras experimentações em outros campos da arte. 

Peer Gynt havia voltado para a casa e reencontrado após décadas, sua antiga paixão. Desta vez, os conceitos haviam mudado. Não se tratava mais de "belo" e "feio" e sim de algo novo. Tratava-se agora do rompimento que a arte moderna enfim causara abolindo de vez nossos preconceitos. 

Hoje, não faço distinções de um Alex RossBill SienkiewiczLourenço Mutarelli ou Kyle Baker (Para ser honesto, ainda fico entre Bill e Kyle por uma questão de gosto pessoal). Até mesmo, ouso dizer que prefiro a quebra do realismo do que o a aproximação cada vez mais obvia de nossos desenhistas ao modelo estadunidense que por sua vez tenta se aproximar da narrativa do cinema graças até a inserção dos personagens de quadrinhos na telona.


E como tenho orgulho de meus quadrinhos! Não mais os desprezo. Todo o meu preconceito havia sido sepultado de vez no renascimento. Enfim, a câmera que tanto buscava era na verdade papel, pincel e nanquim. As ideias sempre estiveram lá, esperando o momento certo para serem invocadas pelo meu puro xamanismo.